Edição #21 ·
Edição #21 — 31/10/2026
Boa tarde. São 12h30 em São Paulo, e a indústria chega ao almoço com uma agenda prática: medir emissões, automatizar operações e proteger produtividade em um cenário de custos logísticos ainda pressionados.
O gancho do dia está no chão de fábrica: caminhões autônomos já operam dentro de plantas e portos brasileiros, enquanto siderúrgicas e mineradoras se preparam para uma cobrança maior sobre eficiência e carbono.
Nesta edição
- AUTOMAÇÃO: Caminhões autônomos deixam o piloto e entram na operação industrial
- SIDERURGIA: Usiminas segura operação enquanto frete marítimo continua caro
- MINERAÇÃO: Vale recupera produção em Carajás e mira faixa anual de até 345 milhões de toneladas
- DESCARBONIZAÇÃO: Medição de emissões chega à rotina de aço, alumínio, mineração e outras indústrias
AUTOMAÇÃO
Caminhões autônomos deixam o piloto e entram na operação industrial
Uma tecnologia desenvolvida no Espírito Santo já permite a operação autônoma de caminhões e ônibus em fábricas, portos e áreas de mineração. A Lume Robotics informa ter 10 veículos em operação e seis clientes, incluindo ArcelorMittal, Suzano, Portocel, Ypê e Mercedes-Benz.
Os veículos identificam obstáculos, interpretam o ambiente e tomam decisões em tempo real. A aplicação fica restrita a ambientes controlados, onde a previsibilidade ajuda a reduzir riscos e acelerar a adoção.
Segundo a empresa, a solução pode cortar em cerca de 25% os custos operacionais, com menor consumo de combustível, desgaste e necessidade de manutenção.
A automação aparece menos como demonstração tecnológica e mais como ferramenta para transporte interno, segurança e produtividade.
Fonte: Blog do Caminhoneiro
SIDERURGIA
Usiminas segura operação enquanto frete marítimo continua caro
A Usiminas manterá paralisada a operação de Samambaia diante da perspectiva de fretes marítimos ainda elevados. A decisão mostra como a logística continua pesando na configuração das operações siderúrgicas.
Ao mesmo tempo, a companhia concluiu uma planta de moagem e injeção de carvão pulverizado na usina. O sistema substitui parte do coque no alto-forno e pode reduzir em 20% a demanda pelo insumo.
A planta começou a operar no terceiro trimestre e deve atingir plena capacidade no quarto. O investimento combina eficiência energética com menor exposição ao custo do coque.
Na prática, eficiência operacional e logística seguem andando juntas: reduzir insumos ajuda, mas frete ainda pode decidir se uma operação fica parada.
Fonte: Valor Econômico
MINERAÇÃO
Vale recupera produção em Carajás e mira faixa anual de até 345 milhões de toneladas
A Vale afirma que a produção de minério de ferro voltou ao ritmo normal após intercorrências em Serra Norte, em Carajás. A operação registrou alta de 15% na produção em outubro, segundo a companhia.
A empresa mantém a projeção anual entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas. O desempenho do último trimestre será decisivo para confirmar o cumprimento da faixa.
A recuperação reforça a importância de estabilidade operacional em ativos de grande escala, especialmente quando qualquer interrupção afeta produção, transporte e embarques.
O foco agora é transformar a recuperação de outubro em desempenho consistente até o fechamento do ano.
Fonte: Valor Econômico
DESCARBONIZAÇÃO
Medição de emissões chega à rotina de aço, alumínio, mineração e outras indústrias
Siderúrgicas, fabricantes de alumínio, cimenteiras, empresas de celulose e vidro, além de produtores de petróleo e gás, começarão a se preparar em 2027 para medir e reportar emissões anuais.
A primeira etapa alcança empresas que emitam pelo menos 10 mil toneladas de gás carbônico equivalente por ano. O ciclo inicial prevê plano de monitoramento, medição posterior e verificação por auditores independentes.
Na mineração, entram inicialmente a pelotização e o beneficiamento de minério de ferro e bauxita. O movimento cria uma nova rotina de dados para áreas industriais que ainda tratam emissões de forma desigual entre unidades e processos.
O primeiro desafio será operacional: definir fronteiras, padronizar medições e transformar dados ambientais em informação confiável para decisão.
Fonte: Movimento Econômico
MUNDO AFORA
- China: indústria perde força com exportações mais fracas A atividade fabril chinesa encolheu em outubro, com enfraquecimento dos novos pedidos de exportação após a recuperação do mês anterior.
- Estados Unidos: foco em talentos para minerais críticos O governo americano planeja distribuir US$ 70 milhões a universidades para formar profissionais ligados à mineração e ao refino de minerais críticos.
- Índia e Filipinas: possíveis parcerias em semicondutores e automação Empresas da Índia e das Filipinas avaliam joint ventures em semicondutores, componentes eletrônicos, automação industrial e autopeças.
- Brasil: rastreabilidade mira máquinas usadas no garimpo ilegal Novas medidas brasileiras podem exigir rastreamento em tempo real de máquinas usadas em operações de garimpo ilegal, ampliando a demanda por controle de ativos.
- Brasil: crédito industrial chega a R$ 755 bilhões Levantamento da CNI aponta R$ 755,2 bilhões em financiamentos para projetos industriais entre 2023 e junho de 2026, com forte concentração em produtividade e transformação digital.
