Edição #28 ·

Edição #28 — 08/11/2026

Boa tarde. A indústria chega ao almoço com quatro sinais claros: armazenamento de energia entra na agenda regulatória, a cadeia eólica brasileira segue dependente de fornecedores chineses, a Embraer tenta ganhar velocidade nas entregas e a indústria química enfrenta uma barreira de custo maior.

O gancho do dia: enquanto o Brasil se prepara para leiloar baterias pela primeira vez, a cadeia global já discute a próxima disputa, quem controla a tecnologia, os equipamentos e os minerais que sustentam essa expansão.

Nesta edição

  • ENERGIA: Leilões de baterias colocam armazenamento no centro do sistema
  • ENERGIA EÓLICA: Turbinas chinesas avançam, e expõem o desafio da cadeia local
  • AERONÁUTICA: Embraer acelera entregas e chega mais perto da meta anual
  • QUÍMICO: Tarifa maior sobre 28 químicos muda a conta de importação

ENERGIA

Leilões de baterias colocam armazenamento no centro do sistema

O Brasil prepara seus primeiros leilões de baterias para dezembro. A iniciativa coloca o armazenamento no centro da discussão sobre estabilidade do sistema elétrico e cria uma nova frente para fornecedores de equipamentos, integradores e operadores de rede.

O movimento também chega em um momento de pressão sobre a cadeia global. Na China, os preços do carbonato de lítio recuaram na semana, enquanto a produção de células para novembro é projetada em alta. Para os compradores brasileiros, o ponto central será transformar queda de custo em projetos competitivos, sem ignorar requisitos de desempenho, segurança e disponibilidade.

A cadeia de baterias segue com demanda desigual: o armazenamento de energia avança, mas fabricantes ainda enfrentam estoques e pressão sobre preços.

Fonte: Shanghai Metals Market

ENERGIA EÓLICA

Turbinas chinesas avançam, e expõem o desafio da cadeia local

Fabricantes chinesas já dominam a fabricação de turbinas instalada no Brasil, ampliando a dependência do país em uma etapa crítica da transição energética. O avanço reflete escala, preço e capacidade de entrega, mas também aumenta a exposição da cadeia local a decisões industriais tomadas fora do país.

O movimento brasileiro acompanha uma tendência internacional. Na Austrália, empresas chinesas fornecem turbinas de grande porte, baterias e equipamentos elétricos para projetos de energia e mineração. A disputa deixou de ser apenas por geração: envolve também manutenção, software, peças e integração com operações industriais.

Para os compradores industriais, custo inicial é apenas uma parte da conta. Disponibilidade de peças e suporte local pesam na continuidade operacional.

Fonte: RenewEconomy

AERONÁUTICA

Embraer acelera entregas e chega mais perto da meta anual

A Embraer entra no quarto trimestre mais perto da meta de entregas, depois de acelerar o ritmo de produção e distribuição de aeronaves. O desempenho reduz parte da distância para o objetivo anual e reforça a importância da execução industrial na reta final do ano.

O resultado também interessa à cadeia de fornecedores. Mais entregas exigem coordenação entre montagem, componentes, logística internacional e suporte pós-venda. O desafio agora é sustentar o ritmo sem transformar a aceleração em pressão sobre qualidade, prazo e capital de giro.

A reta final do ano será decisiva para medir se o ganho de velocidade é estrutural ou concentrado em algumas janelas de entrega.

Fonte: Embraer

QUÍMICO

Tarifa maior sobre 28 químicos muda a conta de importação

A tarifa maior sobre 28 produtos químicos importados já está em vigor. A medida altera o custo de insumos para fabricantes que dependem de matérias-primas externas e pode mudar a conta de compras, estoques e contratos nos próximos meses.

O impacto não fica restrito à indústria química. Plásticos, tintas, adesivos, tratamento de água, fertilizantes e outros segmentos podem sentir efeitos diferentes conforme o produto, a origem e a possibilidade de substituição. A prioridade agora é mapear exposição por item e revisar a formação de custo antes dos próximos ciclos de negociação.

A cobrança exige análise produto a produto: o efeito final depende da tarifa aplicada, do fornecedor e da existência de alternativas nacionais.

Fonte: Governo Federal — Câmara de Comércio Exterior

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